Dê atenção aos teus filhos

by - abril 28, 2017

Não importa se os filhos foram planejados ou se foi uma surpresa quando se descobriu a gravidez, o que parece ser algo comum nos pais modernos é o "desespero" frente aos comportamentos dos filhos. Não sei se é o teu caso, caro leitor, mas há pais que não sabem mais o que fazer com o(s) filho(s) que lhe(s) importuna a todo instante: ao ver um jogo de futebol, ao ler um livro, ao fazer algum trabalho extra em casa, enfim, em todo o momento em que se quer fazer alguma atividade ou simplesmente descansar, surge aquela criança gritando, berrando, torrando a paciência. Há alguns casos em que a criança manifesta seu “ódio” ao trabalhos dos pais, dizendo que não quer que eles trabalhem ou estudem. Os pais ainda tentam explicar para os filhos que o trabalho e o estudo são coisas importantes, mas nem sempre isso consola os pequenos.
O grande problema é: você já parou para pensar que o problema pode ser você, papai, ou você, mamãe? Muitos pais modernos acabam passando muito tempo fora de casa, e, com isso, não poucos pais saem de casa quando os filhos estão dormindo,  retornando apenas quando os mesmos já estão indo dormir – ou já adormeceram. Não obstante, os pais acham que podem compensar esta ausência enchendo a criança de bens materiais. Este fenômeno é visível aos nossos olhos: crianças com tablets, celulares, carros eletrônicos, tênis com luzes, etc. O  problema é justamente que nenhuma criança nasce com necessidade de utilizar produtos eletrônicos; mas toda criança tem a necessidade e o direito da presença dos pais (ou daqueles que os substituem, no caso de órfãos ou abandono) para auxiliar no seu desenvolvimento. Quando vemos crianças de seis, sete anos em diante apegadas aos bens materiais, podemos constatar facilmente que a probabilidade dela ter tido “coisas” no lugar da presença efetiva dos pais é grande.
Minha intenção não é dizer que os pais devem parar de trabalhar. É óbvio que não. Quero justamente fazer um apontamento para que o trabalho, o estudo e o lazer dos pais não venha a lhes roubar precioso tempo com os seu(s) filho(s), tão necessário para o desenvolvimento saudável das crianças.
Maria Montessori, uma das maiores pedagogas da história, vai dizer em seu livro A Criança que “[...]o adulto que ama as crianças, mas que as despreza inconscientemente, nelas provoca um sofrimento secreto que é um espelho de nossos erros e uma advertência quanto à nossa conduta”. Isso quer dizer que, por mais que você ame seu filho, você pode, na verdade, estar o desprezando se não suprir as suas necessidades. E nenhum bebê nasce com necessidade de tablet’s ou brinquedos de mil reais. Sendo assim, a birra que  muitas crianças fazem em casa, principalmente manifestando descontentamento pelo trabalho dos pais (quando as crianças já falam, obviamente), é uma reação à atitude dos pais – embora os pais não façam com consciência. No psíquico da criança, ela está sendo deixada de lado, e as “atividades dos pais” são mais importantes do que ela. Não tendo a presença necessária dos pais, as crianças são entregues aos eletrônicos, passando a ser o ponto de “reciprocidade” da criança, o apoio que ela tem. Isso quando os filhos não passam boa parte do tempo com babás ou creches, e, caso tais pessoas ou instituições supram a necessidade afetiva da criança, podemos constatar coisas outrora inimagináveis: crianças chorando para ficar na creche ou com a babá e não voltar para casa. Eu já presenciei isso, e não foi legal.
Agora vem a solução para o problema: você BRINCA com os teus filhos? Ninguém está falando que você tem que parar de trabalhar, mas, que no tempo que você tem livre, você precisa dedicar aos filhos. A criança não está fazendo guerra ao teu trabalho ou à tua faculdade, mas sim requisitando o que lhe é de direito: tempo com os pais. Você trabalha o dia todo, mas a noite você mal dá um abraço (quando dá) e se joga no sofá para assistir noticiários e novelas – e ainda manda a criança calar a boca quando ela faz um barulho (talvez até tentando te mostrar um desenho que ela fez... E fez para você!).
A presença dos pais na vida dos filhos pequenos vai além da questão afetiva, sendo importante até mesmo no desenvolvimento cognitivo. É cientificamente comprovado que o Q.I. de crianças que os pais liam histórias infantis tende a ser maior. Também é sabido que crianças que veem os pais lendo - e principalmente lendo para elas - são alfabetizadas mais facilmente e tornam-se leitoras. Ou seja, ler histórias para os filhos é uma grande ferramenta pedagógica para os teus filhos. Então, que tal tirar meia hora dos teus programas para ler histórias para os teus filhos? 
Portanto, a noite mesmo, quando possível, faça alguma atividade lúdica com o(s) filho(s). Mas ao se propor a brincar com uma criança, brinque com o coração. A criança sabe quando você brinca, mas agindo como se fosse um fardo. Muitos pais até brincam, mas doidos para que a brincadeira acabe logo. Isso quando não estão embriagados. Não, teu filho não quer que você finja que brinca com ele. Esteja de coração. Isso é ser pai! Isso é ser mãe! Ser papai e mamãe também tem esta responsabilidade, não é só dar comida – é dar amor! Efetivo amor! Caso tua rotina te impeça de fazer isso, não se preocupe, afinal de contas os domingos e feriados existem também para isso. Se desligue um pouco das coisas do trabalho, notícias ruins, etc., e se conecte nos teus filhos, nos teus frutos! Qual foi a última vez que você jogou bola com eles? Há tantas coisas para se fazer com crianças: jogar bola, andar de bicicleta, correr, “esconde-esconde” – ela só quer tua atenção. O problema atual é que nós temos milhões de crianças que crescem largadas, afinal, não têm nenhum dia em que os próprios pais se dediquem à elas. Por isso o comportamento agressivo de algumas crianças é uma linguagem, um pedido de socorro das mesmas, dizendo que elas não querem cosias, mas sim o amor efetivo dos pais. Muitas crianças têm coisas, poucas amor. A(s) sua(s) criança(s) tem o quê?
Dê o mínimo de atenção necessária para teus filhos e verás que o comportamento dos mesmos mudará.
Se ao final deste texto você ainda insiste que não tem tempo para os teus filhos, faça um cálculo: quanto tempo você passa por dia usando aplicativos no celular, em redes sociais, lendo notícias, assistindo televisão, etc? Bom, essas coisas são mais importantes do que teus filhos? Pense nisso!

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