Admire os meios, mas não inveje os fins

by - janeiro 13, 2020

Você tem sonhos? Quais são as metas que você traçou para sua vida? Quais são seus objetivos profissionais? Não, este não é um texto motivacional, necessariamente, mas devo fazer essas perguntas para fazer outra: o que você tem feito para alcança-los?
           Gostaria de expor algumas reflexões que tenho feito sobre a vida, sobre como temos educado as crianças e jovens em relação ao sentido da vida, da busca dos seus objetivos. Nós vivemos numa era digital, num mundo em que reina a alta tecnologia; porém, ao invés de esta nos impulsionar, parece que ficamos estagnados. A minha geração (tenho 25 anos) tem muitas facilidades que as passadas não tiveram. Mas ao invés de isso servir para que nós pudéssemos dar mais de nós, dar o sangue, dar a vida por àquilo que dá sentido a nossa vida, não, nós, muitas vezes, apenas sonhamos. Eu vejo que, infelizmente, não só a minha geração, mas os remanescentes da passada, foram contaminados pelo vírus do comodismo, do jeitinho brasileiro, ou do “eu quero ter, mas não quero lutar para ter licitamente”. Por isso, se a preguiça vos consome em ler este texto por inteiro, aprenda pelo menos o seguinte: admire os meios (lícitos), mas não inveje os fins!
         Se você continuou a leitura, seja porque não está com preguiça, ou porque não entendeu a última frase grifada, eis a explicação: você não pode apenas olhar pessoas bem-sucedidas, que tenham bons salários, e ficar sonhando em ganhar toda dinheirama e em como gastá-la; não deve invejar aquele antigo colega de escola que estudou com você e que agora está numa Universidade Federal ou numa Particular, além de estar trabalhando duro para pagá-la; ou o colega que já concluiu o curso e está com o diploma; nem ficar invejando aquele empresário bem sucedido - reclamando da vida porquê aquele tem e eu, diz o invejoso, não. Não! Não deves, tampouco, ficar invejando os colegas que passaram num Concurso Público. Não deves entregar-te à inveja! Olhe para tal pessoa e ADMIRE os meios. Ora, teu colega passou num concurso? Estude! Se ele foi capaz, você também é! Teu colega passou numa Universidade Federal? Ora, pois, estude, se ele conseguiu, você também consegue! Fulano conseguiu se tornar um empresário de sucesso? Faça como ele: trabalhe duro! Ora, ou você acha que todos os empresários bem-sucedidos acharam uma árvore de dinheiro?
            Para exemplificar: não seja tolo de olhar o Silvio Santos e ficar invejando-o por ele ter se tornado um dos maiores empresários do Brasil. Admire, no entanto, os meios que ele empreendeu: trabalhou duro! Para quem não sabe, Silvio era Camelô, e, com muito esforço, tornou-se o dono de uma emissora de televisão (isso após ter chegado a ser banqueiro).
            Porém, no mundo globalizado onde a informação chega rápido, vemos chegar junto com as notícias: músicas ostentação e coisas do tipo. E os jovens não mais dão o sangue para empreender naquilo que tem potencialidade, mas, pelo contrário, ficam apenas murmurando. Querem ser ricos, mas nem a Carteira de Trabalho tiraram, pois papai e mamãe cuidam de tudo. Aliás, a própria "educação para o dinheiro" tem destruído os nossos jovens. Ou melhor, é mais compreensível chama-la de “educação rumo à ostentação”. Esse é o problema. Eu quero ostentar, mas eu não quero trabalhar para que, muito ou pouco, tenha o valor do suor do meu trabalho, da minha dedicação, da devoção do meu coração dado àquilo que dá sentido a minha vida. O ter, o poder, o prazer, enfim, a ostentação não é o sentido da vida do homem. A maioria dos artistas plásticos, por exemplo, só foram reconhecidos após morrerem; isso mostra que eles pintavam, por exemplo, não pela ostentação, pela fama, mas porque aquele era o dom que Deus lhes deu.
Mas nós, não. Nós temos educado nosso filhos de outra maneira. Educamos na “Educação ostentação”: você TEM que ter um diploma! Você TEM que passar num concurso! Você TEM que ser bem-sucedido financeiramente (rico! Muito rico!)! E assim, diante da preguiça vocacional que temos visto, o jeitinho brasileiro reina. Afinal, nós nem falamos e tampouco damos testemunho da beleza e do mérito de viver os meios, só falamos que ele tem que ter o fim. Ora, para se ter o fim licitamente, de maneira ordinária, não se tem tanto prazer. Mas nós não educamos os jovens para o trabalho, mas somente para o prazer de ter, de possuir, de desfrutar. É muito mais prazeroso para um jovem de 16 anos fumar maconha e fazer sexo, do que estudar 5 horas - além das aulas assistidas na escola. Mas, sabe porquê nossos jovens dificilmente se tornam bons estudantes? Porque independentemente de estudarem horas ou não, conseguirão seu certificado de conclusão do ensino médio. O cara que passou a adolescência toda na droga, na pornografia, etc, vai estar bem atrás daquele que passou horas estudando. Aí ao invés da pessoa reconhecer seu erro, tentar mudar, começar a estudar (porque nunca é tarde para se começar a fazer as coisas certas); não, a pessoa simplesmente amaldiçoa os que progridem, reclama que não passa nas entrevistas de emprego, reclama que na faculdade (pública ou privada) as provas são difíceis, etc. Mas enquanto essa pessoa não parar de invejar o fim (faculdade, concurso, emprego etc), para passar a admirar o meio (sacrifício pessoal, estudo, dedicação), pouco ou NADA mudará positivamente em sua vida.
Conheço casos, por exemplo, de um jovem que não concluiu o Ensino Médio e está há anos sem estudar. Após um período de desemprego começou a reclamar do porquê de não passar em algumas entrevistas de emprego. Uma das frases dita por essa pessoa foi “mas para ser vendedor precisa de Ensino Médio!?”. De fato, para ser um bom vendedor não precisa de ensino médio. Mas comparando currículo com currículo, você vai chamar quem? Nessa época de crise, pessoas com ótimas experiências profissionais tem aos montes, mas, se não tenho o básico ensino Médio completo, como concorrer? Essa pessoa até conseguiu um emprego; porém, não satisfeita com o salário, continua cometendo o mesmo erro: inveja o bom emprego, mas não se esforça para facilitar os meios de se ter um bom emprego. Qualquer pessoa que pensa na vida, e não no prazer momentâneo que o dinheiro pode comprar, iria dar um jeito de estudar e concluir o Ensino Médio. Você pode ir para uma Escola Pública fazer o EJA, ou mesmo fazer particular caso tenha recursos. Mas não, além do “precisa de ensino médio”, o que ouvi foi o desejo manifesto de comprar um diploma. Isso mesmo. Alguém conhece alguém, que conhece uma pessoa, que trabalha numa escola... Enfim, você entendeu! Ele não fez isso (até agora), mas raciocine comigo: a pessoa está disposta a sacrificar uma quantia de dinheiro para ter um fim (diploma) de maneira ilícita, mas não tem coragem de fazer sacrifícios pessoais para ser um bom estudante, fazer a coisa certa, evoluir, crescer na vida. Sabe o que vai acontecer? Ele até pode conseguir o certificado de maneira ilícita, mas na hora de conseguir o emprego... Na hora de mandar um e-mail, escrever um relatório, fazer qualquer coisa... Vocês entenderam! Afinal, comprou o diploma, mas conhecimento não se compra, se conquista com luta (estudo). As escolas e universidades não têm cumprido plenamente seu papel educadores, mas você lucra muito mais indo à elas recebendo o que podem te dar de bom, do que comprando um diploma. 
Se o objetivo da vida for ter um diploma, há como se comprar. Qual o teu objetivo? Tirar a CNH? Não tem conseguido passar na(s) prova(s)? Tudo bem, há esquemas para comprar carteiras falsas ou, como temos visto, esquemas para burlar o sistema e conseguir uma carteira “quente” sem ter feito as provas. Resultado: uma pessoa inapta para dirigir colocando em risco a vida de outras pessoas. Mas o que quero levantar aqui é que o problema de falsificações de certificados, de CNH’s, de fraudes e fraudes, da corrupção, enfim, é porque a nossa cultura brasileira educa para a ostentação pura e simples, para a inveja, para querer o objeto, mas sem formar as pessoas para realizar os devidos sacrifícios para se conseguir aquilo. Para quê estudar, fazer provas, se o Certificado de Conclusão do Ensino Médio ou a CNH, por exemplo, pode ser comprado em alguma esquina? Somos uma geração medíocre.
Alguém que quer conquistar seus objetivos licitamente, não importa o tempo que passou sem estudar, nem mesmo a idade que tem hoje, começa – ou recomeça – a estudar e luta arduamente para conseguir, pelo menos, o mínimo, sim, o mí-ni-mo para conseguir os objetivos. O “trouxa ostentação” o que faz? Fica: eu quero o certificado, mas não quero estudar; eu quero o carro, mas não quero trabalhar; eu quero uma família, mas não quero me sacrificar; eu quero o bônus, mas rejeito o ônus. Entendem?.
Bum! Acorda Brasil! Vamos educar certo! Se não mudarmos agora, o que será daqui há dez anos?

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